A beta-glucana é um polissacarídeo de alto peso molecular que forma um filme flexível na superfície da pele. Em vez de atrair água como um umectante, ela retém a água que já está ali e reduz a evaporação. É isso que a torna mais estável que o ácido hialurônico em ambiente seco, onde umectantes puros perdem eficiência.
É um dos ativos mais interessantes que existem para o clima brasileiro, e um dos menos falados por aqui. O argumento dela está no mecanismo.
O que é e de onde vem
Beta-glucanas são polissacarídeos: cadeias longas de moléculas de açúcar ligadas entre si. Estão na parede celular de aveia, cevada, leveduras e cogumelos, e a origem importa mais do que parece, a estrutura da cadeia muda conforme a fonte, e com ela o comportamento na pele.
As mais usadas em cosmética vêm de aveia (Avena sativa) e de levedura (Saccharomyces cerevisiae).
A característica que define o ativo é o tamanho. A beta-glucana é uma molécula grande, muito maior que a glicerina, maior que a maioria das frações de ácido hialurônico usadas em cosmética. Esse tamanho determina tudo o que vem a seguir.
Como funciona
Por ser grande, a beta-glucana não atravessa a barreira. Ela se deposita e forma um filme flexível e hidrofílico sobre o estrato córneo.
Esse filme faz duas coisas ao mesmo tempo: retém a água que já está na pele e reduz a taxa de evaporação para o ambiente.
Isso a coloca numa categoria intermediária, que é justamente onde está a utilidade dela. Não é um umectante puro, que atrai água de onde houver. Nem é um oclusivo pesado, que sela com carga lipídica. É algo entre os dois, retenção sem gordura.
Há também um segundo aspecto, mais estudado em imunologia do que em cosmética: beta-glucanas são reconhecidas por receptores específicos em células da pele. É o que embasa a reputação delas como ativo calmante em pele reativa. O mecanismo é bem descrito; a tradução dele em resultado cosmético mensurável é menos clara, e vale dizer isso em vez de fingir que é a mesma coisa.
Sobre os números que você vai ver por aí
Aqui a gente precisa fazer com a beta-glucana o que faz com qualquer outro ativo, inclusive quando o resultado é inconveniente para nós.
Circula bastante no Brasil que a beta-glucana seria "20% mais hidratante que o ácido hialurônico", e também percentuais específicos de aumento de hidratação por determinado número de horas. Você encontra esses números em blog de marca, em post de rede social e em material de venda, quase sempre repetidos sem fonte.
Fomos atrás da origem e não conseguimos rastrear até um estudo publicado e verificável. O que se encontra são materiais técnicos de fabricantes de matéria-prima e republicações desses materiais. Isso não significa que os dados sejam falsos, fabricantes fazem pesquisa séria, e boa parte do que se sabe sobre ativos cosméticos vem daí. Significa que não podemos citar a origem com periódico, ano e método.
Comparar hidratação entre dois ativos exige definir: em que concentração, em que veículo, medido como, por quanto tempo, em quantas pessoas. Sem isso, um percentual não é dado, é slogan com casa decimal.
Então não vamos repetir esses números. Nem os que favorecem o ativo que está dentro do nosso próprio produto.
O que dá para afirmar com segurança é o mecanismo: a beta-glucana forma filme, retém água e não depende da umidade do ambiente para funcionar. Isso já explica por que ela é útil, e tem a vantagem de ser verdade.
Beta-glucana e ácido hialurônico: como comparar
Os dois são associados à hidratação, mas resolvem o problema por caminhos opostos.
| Beta-glucana | Ácido hialurônico | |
|---|---|---|
| Classe | Polissacarídeo de alto peso molecular | Glicosaminoglicano |
| Mecanismo principal | Forma filme; retém a água presente e reduz a evaporação | Umectante: atrai água para as camadas superficiais |
| De onde vem a água | Da própria pele, que passa a perder menos | Do produto e do ambiente, ou da própria pele, se o ar estiver seco |
| Comportamento em ar seco | Estável: o filme continua funcionando | Instável: pode puxar água das camadas mais profundas |
| Precisa de selagem? | Menos, o filme já cumpre parte desse papel | Sim, sempre |
| Sensação | Leve, aveludada | Leve, com risco de repuxar se não selado |
A leitura prática: não são concorrentes, e uma boa fórmula costuma trazer os dois. O ácido hialurônico traz água; a beta-glucana ajuda a mantê-la. Em clima seco, a segunda função é a que faz diferença.
Por que ela funciona bem no clima brasileiro
Boa parte do Brasil passa meses com o ar muito seco. No Distrito Federal e em cidades do Centro-Oeste, a umidade relativa cai regularmente, entre agosto e setembro, para faixas que o INMET classifica como alerta. O interior do Sudeste vive versões do mesmo padrão todo inverno. E o ar-condicionado reproduz artificialmente essa condição o ano inteiro, em qualquer região.
Nessas condições, um umectante puro fica em desvantagem: ele atrai água de onde houver, e se o ar não tem, a fonte disponível passa a ser a própria pele.
Ativo que forma filme não tem esse problema. Ele não depende da umidade do ambiente para funcionar, depende da água que já está na pele, e sua função é justamente impedir que ela saia.
É a razão pela qual a beta-glucana merece muito mais espaço nas rotinas brasileiras do que tem hoje.
Beta-glucana em pele sensível e reativa
Este é o cenário em que ela costuma ser mais valiosa.
Uma pele com a barreira comprometida está em duas dificuldades ao mesmo tempo: perde água em excesso e reage a quase tudo. A maioria dos ativos de hidratação resolve a primeira e agrava a segunda.
A beta-glucana tem um perfil raro nesse contexto: age majoritariamente na superfície, tem baixo potencial irritante, não altera o pH da pele, não esfolia e não fotossensibiliza. Some-se a isso a reputação de ativo calmante, e ela se torna uma das opções mais seguras para o período em que a pele não tolera novidade.
Onde a Mocca entra
O Glossiatto Peptide Essence traz beta-glucana junto com hialuronato de sódio, a combinação descrita na tabela acima, com um ativo trazendo água e o outro ajudando a retê-la.
Como sempre: o INCI completo está publicado na página do produto.
Perguntas frequentes
Beta-glucana é melhor que ácido hialurônico?
Não é uma questão de melhor. São mecanismos diferentes: o ácido hialurônico atrai água, a beta-glucana forma um filme que ajuda a retê-la. Em ambiente seco, a beta-glucana tende a se comportar de forma mais estável. Numa boa fórmula, os dois convivem.
A beta-glucana hidrata mais que o ácido hialurônico?
Circulam percentuais afirmando isso, mas não conseguimos rastreá-los até um estudo publicado e verificável, a origem são materiais de fabricante de matéria-prima. O que se pode afirmar é que ela funciona por um mecanismo diferente, mais estável em ar seco, porque não depende da umidade do ambiente.
O que a beta-glucana faz na pele?
Forma um filme flexível e hidrofílico na superfície, que retém a água já presente e reduz a taxa de evaporação, sem adicionar carga lipídica. Também tem reputação de ativo calmante em pele reativa.
Beta-glucana entope os poros?
O filme que ela forma é hidrofílico e permeável, não é uma camada oclusiva de gordura. Não há indicação de que seja comedogênica.
Pode usar beta-glucana todos os dias?
Pode. É um ativo de hidratação e conforto, sem limite de frequência e sem período de adaptação.
Beta-glucana de aveia e de levedura são iguais?
Não exatamente. A estrutura da cadeia varia conforme a fonte, e com ela o comportamento na pele. As duas são usadas em cosmética, mas não são intercambiáveis do ponto de vista técnico.
Beta-glucana serve para pele oleosa?
Serve, e é uma boa opção. Ela hidrata sem adicionar carga lipídica, exatamente o que a pele oleosa costuma evitar em produtos hidratantes, e o motivo pelo qual muita gente com pele oleosa acaba desidratada.
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Escrito por Natália, fundadora da Mocca Beauty.